O que é o especismo?

O especismo define-se pela discriminação arbitrária daqueles que não pertencem a uma determinada espécie. A maior parte dos humanos são especistas perante os restantes animais, uma vez que os consideram seres inferiores e os colocam num patamar abaixo do seu, não lhes conferindo qualquer tipo de direitos.

Os humanos pertencem ao grupo animal e como animais temos interesses e necessidades próprias. Estas emoções e necessidades não ocorrem apenas com os humanos, elas ocorrem independentemente da espécie à qual pertencemos, no entanto os humanos fazem uma grande diferença entre si e os outros animais. Os interesses dos humanos prevalecem sempre em detrimento dos interesses dos animais não-humanos.

A esta discriminação chamamos especismo.

Os defensores do especismo recorrem muitas vezes a argumentos que são facilmente deitados abaixo. Entre estes argumentos, os mais utilizados são:
–   para discriminar os animais não-humanos são que os animais (não-humanos) são uma espécie diferente
–   os outros animais sempre foram tratados assim não irá ser mudado agora.

Alguns especistas consideram ainda que a raça humana é superior, uma espécie de eleição com poder de domínio sobre a terra e sobre quem nela habita.

A capacidade de raciocinar dos humanos  também é muitas vezes utilizada como argumento para denegrir as outras espécies. Ao considerar este argumento não estamos a considerar as crianças pequenas cuja capacidade de raciocínio é limada ou até mesmo os adultos que devido a uma doença ou até a algum acidente ficaram com as suas capacidades de raciocínio limitadas. Será que esta limitação intelectual nos dá direito a explorar, abusar e explorar os outros humanos sem a sua permissão?

Outro argumento muitas vezes utilizado é a falta de empatia que temos com as outras espécies. A falta de empatia pode ser comparado a outro tipo de discriminação que ocorre entre humanos – o racismo.  Durante décadas exploramos e escravizamos outros humanos apenas pela diferença na cor de pele. Hoje exploramos e escravizamos outros animais apenas porque são diferentes e não sentimos empatia com eles.

Como animais não devemos considerar a empatia (ou a falta desta) como argumentos válidos, assim como a capacidade de raciocínio. Já vimos que a falta de empatia ocorre dentro da raça humana e a capacidade de raciocínio de cada um não nos dá o direito de abusar e explorar terceiros.

O especismo deve ser abolido pela capacidade que cada indivíduo tem de sentir, sofrer, desfrutar emoções e de sentir necessidades próprias. Todos os animais devem ser respeitados pois todos tem a capacidade de sofrer e de se sentirem afectados pelos actos que são feitos contra eles.

Ao renunciar o especismo estamos também a defender a igualdade entre todos os animais humanos e não-humanos. Não são raras as pessoas que se opõem fortemente à matança de cães e gatos para consumo, mas aceitam facilmente e incluem nos seus menus porcos, vacas e galinhas. Esta diferenciação prejudica fortemente todos os animais.

Quando renunciamos ao especismo defendemos a igualdade e respeito por todos os que tem a capacidade de sofrer ou de desfrutar emoções.

adaptado de especismo.org

loja vegetariana

18 comments

  1. Adorei o texto, só n viro vegetariano pq posso passar fome,mas se pudesse n comeria de jeito algum.

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    1. Olá Felipe,
      Como assim passaria fome? Existem imensas opções vegetais para a nossa alimentação, é uma questão de saber escolher o que comemos e fazer a substituição.

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  2. O texto é ótimo, muito bons os argumentos usados. Só uma coisa eu não achei legal: vocês fazerem um comentário sobre racismo e relacionar com falta de empatia (claro que eu concordo com isso), mas usarem uma expressão racista (denegrir). Sugiro que substituam, pq pode não ter sido proposital, mas isso prejudica o texto.

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  3. Ainda nāo sou 100% vegan. Estou a adaptar-me a esta nova realidade. Deixei de comer carne e peixe e todos os seus derivados, bem como derivados de outros animais, no entanto sou traido por alguns produtos que não são escarecedores em relação ao seu conteúdo. Não sei explicar a felicidade que encontrei por ter tomado esta decisão na minha vida. Por mais descriminado que seja, quero partilhar com amigos e com o mundo, mas a resistência é enorme.

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  4. ” Nada que fuja ou resista nos serve para alimentação.” Gandhi

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  5. …”Quando abraçamos o especismo defendemos a igualdade e respeito por todos os que tem a capacidade de sofrer ou de desfrutar emoções”…. :-não seria o contrário??…quando NÃO abraçamos o especismo…defendemos a igualdade e respeito por todos…

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  6. Sou especista. Considero que os mamíferos, as aves, e os vertebrados em geral merecem mais respeito. Mas não acho um humano muito diferente de um cavalo, de um cachorro, nem de um rato.

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    1. desculpe amigo mas você é doente!!

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  7. admin, sobre a capacidade de sentir das plantas, recomendo o livro “A Vida Secreta das Plantas”.

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  8. Comer fruta não faz mal à árvore.

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  9. Na verdade, a discriminação das plantas não é exatamente especismo, é reinismo, porque as plantas pertencem a outro reino (e obviamente a outras espécies). Dizer que a discriminação das plantas é especismo é como dizer que a discriminação de uma vaca por um humano é racismo, afinal a vaca tem uma raça (nelore, por exemplo) e o humano tem outra (branco, por exemplo).

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  10. existem varios animais que não possuem sistema nervoso central…

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  11. Eu sou vegana e há uns dias tive uma discussão com um amigo (omnívoro) sobre as motivações do veganismo e os fundamentos por trás dele. O meu amigo disse-me que apesar de concordar com muitos pontos por trás do veganismo (como sermos contra a exploração animal ou as vantagens óbvias do vegetarianismo para a saúde), para ele, os fundamentos do veganismo possuem muitas lacunas, tais como o facto de, de alguma forma, “discriminarmos” as plantas em detrimento dos animais. Ele referia que tal como os animais, as plantas adaptam-se, alimentam-se, interagem com o meio e sentem (ele disse que já leu artigos sobre o facto das plantas serem sencientes, mas eu nunca encontrei nada disso), e que o facto de as consumirmos (o que implica provocar a sua morte, interferir nos seus mecanismos de reprodução através do consumo de uma parte de si, ou explorar estes seres) e não nos alimentarmos de animais, é estarmos a desvalorizar as plantas que tal como os animais, são seres vivos dinâmicos, admitindo que a vida delas não terá tanto valor quanto a dos animais.
    A verdade é que isto me deixou a pensar… Não tive argumentos para desacreditar a opinião dele. É certo que associado ao veganismo está a preocupação com o meio ambiente, no entanto isso não é suficiente para argumentar contra o ponto de vista que ele me apresentou. Gostava de saber a opinião de outras pessoas vegetarianas/veganas sobre o assunto. Estaremos na realidade a ser “especistas” (se é que este termo se pode usar neste contexto) em relação às plantas?

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    1. Para responder à questão que tantos omnívoros levantam, numa tentativa de “culpar” os veganos pela discriminação das plantas, basta salientar o facto que as plantam não possuem sistema nervoso central, dai não possuírem a capacidade de sentir dor, medo, desfrutar sensações e emoções.

      A defesa que de que as plantas também sentem é feita por alguns que evocam a “procura da luz” que as plantam fazem, o que não implicam que elas tenham a capacidade de sentir, apenas mostra a capacidade que as plantas têm de reagir a estímulos, o equivalente à reacção de um termómetro ao calor.

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      1. Vejo, nesta publicação, a oportunidade de refletir sobre a VERDADE ABSOLUTA.

        Ao afirmar que as plantas não sentem, ignora os vários estudos que apontam para uma conclusão contrária. É só pesquisar que acha.

        Sobre não consumir animais, sob o argumento de que estaríamos preservando a natureza, esquecemos totalmente do dano que causa a cultura do algodão, que é usado para nos vestir, da soja, do milho, e de todas as monoculturas que determinam a morte e a extinção de tantas espécies, em todo o mundo.

        Ou seja, nossa vida desequilibrada é extremamente danosa. Acredito que o caminho do meio nos leva ao equilíbrio… sem pudor, sem moralismos. sem pieguisses, sem demagogia, sem hipocrisia.

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        1. Claro que as atividades humanas têm impacto ambiental, até a agricultura para alimentar os humanos com vegetais, mas para alimentá-los com carne o impacto é muito maior! Não faz sentido apontar o impacto da alimentação vegana se este é muito menor do que o impacto da alimentação com carne. Sobre a questão ética, podem dizer que não se importam com nossa ética e até zombarem dela, como é comum, e eu tenho dificuldade para conta-argumentar. Agora, dizer que alimentação vegana tem impacto ambiental não tem nada a ver, pois a alimentação vegana, quando substitui a outra, reduz o impacto. Esse argumento foi extremamente hipócrita!

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    2. Eu responderia que tento comer o que menos agride o planeta e gera menos sofrimento, e argumentaria que a carne que ele come veio de um animal que come cereais e grama além de outras coisas e consome muita água também, 8Kg de cereais e 15 mil litros de água por quilo de carne aproximadamente! um quilo de tomate por exemplo são gastos 40 litros para sua produção. Além do fato de plantas não possuírem sistema nervoso central. A consumo de carne onera muito o planeta! Paz para todos!

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    3. não sou vegetariano, nem dr. de nada,nada de nada que me torne suspeito ao dar a minha humilde opinião.A poda de plantas e a apanha de frutas por exemplo são a meu ver benéficas para as plantas e até fazem mesmo parte de um ciclo portanto não percebi essa dos sentimentos da planta confessando que me dá um aperto no peito quando mato baratas de 5cm (tento eu dispensar comentários sobre falta de empatia).

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