Junho 24 2019 0Comentários

Vegan, vegetariano, cruelty free e biológico – quais as diferenças

comsética vegan

Se há uns anos atrás era fácil definir um vegan, actualmente com o aumento da oferta criou-se uma grande confusão.

Posso comer peixe e ser vegetariano?

Quase todos os dias surgem novas definições de novos regimes alimentares que querem a todo o custo promover uma alimentação saudável e sustentável, mesmo quando não o são. Regimes alimentares como o pescetarianismo, flexivegetariano, contribuem apenas para campanhas de marketing que muitas empresas começam a adoptar para promover uma “alimentação mais limpa” e com mais vegetais. Estes regimes alimentares nunca deverão ser confundidos com o vegetarianismo, promover o consumo de animais, mesmo que reduzido não se enquadra com os pressupostos do vegetariano.

Pescetarianismo
Pescatarianismo é similar a muitas dietas tradicionais enfatizando peixes além de frutas, vegetais e grãos.

Os pescetarianos são descritos como vegetarianos ou pesco-vegetarianos, e frequentemente pessoas não familiarizadas com vegetarianismo acreditam que a dieta pescetariana é vegetariana. A “Vegetarian Society” não considera pescetarianismo uma dieta vegetariana.

Os peixes sentem dor?

Flexi vegetariano
O flexitarianismo é um termo que funde os conceitos “vegetarianismo” e “flexível”. A dieta flexi vegetariana é baseada no consumo de alimentos de origem vegetal e esporadicamente carne ou peixe. As associações vegetarianas não reconhecem o termo já que não há a abstenção por completo do consumo de alimentos de origem animal.

Vegan
Ao contrário do que se possa pensar, o veganismo não é um regime alimentar, mas uma filosofia de vida, que não só exclui todos os produtos animais ou que possam ter causado sofrimento animal (vivissecção) da alimentação, mas também do vestuário, cosmética, produtos para a casa,… A alimentação que o vegan segue é a vegetariana.

Vegetariano
A alimentação vegetariana pode ser dividida nas seguintes categorias:

Ovo-lacto-vegetariano
A sua alimentação inclui lacticínios e ovos.

Lacto-vegetariano
Excluem os ovos da alimentação, mas mantém os lacticínios.

Ovo-vegetarianos
A sua alimentação inclui ovos, mas retiram os lacticínios.

Vegetarianos
Os vegetarianos não consomem produtos de origem animal, excluem as carnes, peixe, ovos, lacticínios, mel.

Frutívoros
Os frutívoros alimentam-se, como o nome indica, de frutas, grãos e sementes. A sua alimentação difere da vegetariana, uma vez que os frutívoros se recusam a consumir raízes e germinados.

Crudívoros
A alimentação crudívora é baseada se única e exclusivamente em alimentos crus, preservando as propriedades nutritivas dos alimentos.

Pode um produto testado em animais ser apto para veganos?

Qual é a diferença entre um vegetariano e um vegano. Já aqui escrevi sobre a diferença, mas desta vez quero acrescentar algo que tenho visto a ser muito discutido nas redes sociais que tem a ver com o facto de existirem produtos vegan mas que não são cruelty free. Por produto cruelty free entende-se um produto final e os seus componentes não foram testados em animais. Mas ser cruelty free não significa que seja vegano, existem muitas marcas que utilizam subprodutos animais e têm o selo de certificação Leaping Bunny. Alguns desses produtos podem ser a lanolina, cera de abelha, colagénio ou leite são de origem animal e por isso não serão indicados para veganos.

A grande questão é “Pode um produto ser testado em animais e ser adequado para veganos?”
A resposta é apenas uma e simples. Não! Para um produto ser adequado a veganos nunca poderá ter qualquer componente de origem animal ou ter causado sofrimento animal no seu processo de fabrico. Veganismo não é um simples regime alimentar, as bases do veganismo assentam em pontos fortes de exclusão de todo e qualquer sofrimento animal em que a alimentação é apenas um deles. Quando escolho o que compro, opto maioritariamente por marcas veganas, felizmente já existem muitas no mercado a preços acessíveis. Mas também existem outros produtos que pertencem a grandes corporações e que são veganos, um exemplo muito concreto é a nova vaga de gelados que tem chegado a Portugal, desde o corneto, magnum e os ben & Jerry, que não pertencem a empresas 100% veganas, mas que enquanto consumidora opto por comprar. Comprar estes produtos não significa que esteja a contribuir para a restante cadeia, mas a afirmar uma vontade de existirem cada vez mais opções veganas fáceis de alcançar. O mesmo acontece quando compro produtos de marca branca ou associados a alguma cadeia de hipermercados. O Aldi tem produtos óptimos aptos para veganos, mas também tem outros que não o são, infelizmente a maioria, mas ao adquirir estes produtos, garanto que a cadeia irá continuar a vender (desde que exista procura) e os preços com certeza que irão baixar.

O mesmo se passa com as restantes marcas, desde cosmética, limpeza entre outras. Apesar de optar por marcas como a Faith in Nature ou Bjobj para a cosmética e limpeza, acredito que havendo mais oferta os preços possam baixar. E isso tenho reparado nos últimos dois anos.

Todos os anos são utilizados mais de 100 milhões de animais em testes de laboratório, entre eles cães, ratos, coelhos, macacos, gatos (segundo o relatório da PETA) Ao escolher alternativas éticas sem experimentação animal estamos a contribuir para a regra dos 3 r’s Replacement (substituição), Reduction (redução) and Refinement (refinamento) ou seja estamos a contribuir para a eliminação do uso de cobaias nos testes e a aplicação de técnicas que minimizem o seu sofrimento.

Além de questionáveis do ponto de vista ético, os testes in vivo podem ser mais caros — há custos para obter, manter e manipular as cobaias — e menos eficientes, afinal, nem sempre os resultados observados em animais se aplicam ao ser humano.

Para ficar a conhecer um produto cruelty free basta procurar a informação na embalagem e caso não tenha um destes certificados, podes sempre contactar o Serviço de Apoio ao Cliente da Marca.

Leaping Bunny

Quando o termo Livre de Crueldade começou a ficar popular, muitas marcas começaram a desenhar o seu próprio emblema cruelty free. Em resposta, 8 grupos de protecção animal uniram-se e formaram a Coalition for Consumer Information on Cosmetics (CCIC), criando o conhecido coelhinho Leaping Bunny. A Leaping Bunny trabalha no sentido de tornar os produtos de consumo mais confiáveis.

Comprar com o certificado Leaping Bunny não significa que seja vegano!

Peta Approved

Ao comprar produtos com a certificação PETA sabemos que a empresa é livre de crueldade. A PETA também mantém uma lista de produtos cruelty free actualizada que pode ser vista aqui.

Comprar com o certificado PETA não significa que seja vegano!

Os produtos biológicos são todos vegans?

Outra dúvida que acontece muito também se prende com os produtos biológicos. Muita gente confunde biológico com veganismo. Estes dois termos não estão diretamente relacionados, apesar de muita gente promover que o veganismo deve ser feito com base em produtos bio, infelizmente não é acessível a muitas carteiras. Mesmo o produto que compramos nas feiras e mercados locais (todas as semanas compro os meus legumes e frutas numa mercearia familiar) é preciso saber que isso não significa que os mesmos sejam de origem bio! Ser biológico não precisa de ter um certificado, mas obedece a muitas regras que por vezes os produtores não obedecem. Além de que existem muitos alimentos biológicos que são claramente não veganos, como por exemplo a carne, peixe, ovos e leite. A melhor solução é ter um pedaço de terra para cultivar e saber o que se está a comer, quem tem terrenos no campo ou mesmo uma horta urbana e oportunidade para os cultivar é um privilegiado.

The Humble Co

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