O futuro de trinta baleias belugas no parque Marineland, no Canadá, permanece indeterminado, no centro de um impasse entre o governo, a direção do parque e os defensores dos direitos dos animais. Este caso sublinha a premência de se pôr termo ao cativeiro de vida selvagem e de instituir medidas legislativas robustas que protejam efetivamente estes seres sencientes.
O conflito intensificou-se após o governo federal ter bloqueado a exportação dos cetáceos para a China. A administração do Marineland, um parque em dificuldades financeiras, respondeu com a ameaça de eutanasiar os animais caso o estado não assumisse os custos da sua manutenção. Esta posição, rejeitada pelo ministro das Pescas, coloca os animais numa situação de extremo perigo e ilustra as consequências trágicas de se tratar fauna senciente como propriedade.

Para os especialistas que com elas trabalharam, o debate público frequentemente ignora a complexidade do bem-estar animal em cativeiro. Kristy Burgess, antiga treinadora, descreve relações de confiança construídas ao longo de três anos, realçando a inteligência e individualidade distintiva de cada beluga. No entanto, esta proximidade permitiu-lhe também testemunhar em primeira mão o declínio das condições do parque.
Burgess relata que as instalações se encontram em avançado estado de degradação, com fragmentos de betão a desprenderem-se para os tanques – um perigo para a saúde dos animais curiosos que os manipulam. Desde 2019, registaram-se 19 mortes de belugas no local, um número que os ativistas atribuem diretamente às condições de cativeiro.
A ameaça de eutanásia em massa é amplamente considerada uma manobra de negociação, mas evidencia a vulnerabilidade dos animais num sistema que esgotou o seu propósito. A solução defendida por organizações de proteção animal passa pela relocalização imediata dos cetáceos para habitats mais adequados.
Uma proposta em análise é a transferência para um santuário marinho na Nova Escócia, um recinto oceânico de 100 acres (404 686 metros quadrados (m²))que ofereceria um ambiente significativamente mais natural. Apesar de o projeto carecer ainda de implementação, representa um paradigma emergente: a transição de parques aquáticos obsoletos para modelos de custódia que priorizem o bem-estar animal sobre o entretenimento.
Charles Vinick, responsável pela iniciativa do santuário, enfatiza que a instalação providenciaria estímulos e cuidados especializados num espaço condizente com as necessidades etológicas das baleias.
Este caso serve como um sério aviso sobre as falhas da legislação de bem-estar animal. Camille Labchuk, da organização Animal Justice, salienta a incapacidade dos vários níveis de governo em agir proactivamente perante uma crise anunciada. “Toda a gente sabia que o Marineland encerraria. A situação atual é o resultado de uma inação prolongada”, afirmou.
Conclui-se, assim, que a tragédia destas trinta belugas é um argumento incontornável a favor da proibição do cativeiro de mamíferos marinhos e da criação de mecanismos legais eficazes que garantam a sua proteção, assegurando que o seu valor intrínseco seja colocado acima de quaisquer interesses comerciais.
