Janeiro 08 2026 0Comentários

Um Presente para a Sala de Aula: “Mustafa” e a Inclusão que Começa no Pré-Escolar

Como uma história simples pode falar sobre acolhimento e diferença.

No início do novo ano, quis oferecer uma lembrança à sala de pré-escolar dos meus filhos. Não sabia bem o que oferecer e, como tive algum tempo durante as férias de Natal, optei por um livro que já tive — ofereci-o e aproveitei para repor na coleção dos meninos.

O livro que escolhi foi Mustafa, de Marie-Louise Gay, que conta a história de um menino que parte com a família para um país diferente. Quando a A. era ainda bebé, li-lhe esta história e fiquei profundamente comovida — ainda hoje fico, quando a leio, e obriga-me a fazer várias pausas.

Esta é uma das passagens que mais me toca o coração:
“A mãe garante-lhe que aquela Lua é a mesma lua que viam no seu país.”

Mustafa é um menino curioso, mas que se sente invisível num país onde tudo parece estranho. Só aos poucos, quando começa a explorar, é que percebe que encontra semelhanças — como umas flores que lhe lembram as chávenas cor-de-rosa da avó. Tudo parece diferente e novo, até que surge uma menina que tenta falar com ele. Mustafa não compreende e assusta-se.

A história desenrola-se com a ajuda dessa menina, que o ajuda a explorar e a sentir-se mais livre e menos invisível.

Escolhi este livro porque, cada vez mais, há crianças de outras nacionalidades nas nossas escolas. Até no parque onde costumamos brincar, há muitas crianças que falam pouco ou quase nenhum português, e essa barreira pode, por vezes, parecer difícil de ultrapassar. Umas são mais extrovertidas, outras mais reservadas; umas gostam mais de brincar, outras preferem ficar no seu cantinho.

A história foi muito bem recebida pelas educadoras — que, para meu espanto, a leram logo ali — e teve um impacto positivo na sala.
Fico verdadeiramente feliz por a editora X ter publicado este livro em Portugal.

Podem encontrá-lo no site da livraria wook – aqui .

Refletindo um pouco, fica a ideia de que, muitas vezes, são as crianças que nos dão as lições mais puras sobre inclusão. Elas não precisam de partilhar a mesma língua para estender a mão, para sorrir, para incluir no jogo. A interação entre a menina e o Mustafa lembra-nos que a linguagem da amizade é universal — feita de gestos, de atenção, e da coragem simples de se aproximar. Na sala de aula ou no parque, talvez sejamos nós, adultos, que temos mais a aprender sobre como construir pontes, observando a naturalidade com que elas, quando deixadas à vontade, simplesmente o fazem.

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